Fachada da Casa dos Patudos, obra de Raul Lino em Alpiarça, com arcarias, varandas e o torreão em xadrez verde e branco
Selo das Novas 7 Maravilhas de Portugal — Casa Museu dos Patudos, Alpiarça, nomeado
Candidata · Novas 7 Maravilhas de Portugal® 2026

Casa dos PatudosMuseu de Alpiarça

Uma casa · Uma história · Uma maravilha

Um tesouro português no Ribatejo

A casa de José Relvas, em Alpiarça, onde a arte de quatro continentes habita as paredes que Raul Lino desenhou.

O Homem

José Relvas, o Homem que Deu Portugal ao Povo

A história de Portugal está povoada de heróis que o tempo deixou na penumbra. José Relvas não deveria ser um deles.

Foi ele que, da varanda da Câmara Municipal de Lisboa, proclamou a República a 5 de outubro de 1910. Ministro das Finanças do Governo Provisório, dotou o país de uma nova moeda, o escudo. Foi embaixador em Madrid, Chefe de Governo e Ministro do Interior. Mas para além da política, foi lavrador, músico de alma, mecenas e um dos maiores colecionadores de arte de Portugal.

E quando chegou a hora de decidir o destino da sua vida e da sua casa, José Relvas não pensou em si, nem na família. Pensou no povo de Alpiarça. Legou-lhe tudo, sob uma única condição: que a casa permanecesse aberta, para que todos pudessem contemplar aquilo que reuniu ao longo de uma vida inteira.

Mais do que filantropia, foi um gesto de amor a Portugal.

Átrio nobre da Casa dos Patudos, com escadaria, azulejos azuis e brancos e talha dourada, casa-museu de José Relvas em Alpiarça

O átrio de entrada, tal como José Relvas o concebeu.

01

O Violinista que Mudou Portugal

Relvas tocava violino e organizava saraus culturais em casa.

02

O Homem que Criou o Escudo

Enquanto Ministro das Finanças, instaurou o escudo em substituição do real.

03

As flores que permanecem

No testamento, pediu flores frescas para sempre. Mais de 90 anos depois, são renovadas.

04

O Calendário que Parou no Tempo

Calendário de mogno e prata imobilizado no dia 31 de outubro de 1929.

05

O piano que não toca

O piano do filho, Carlos Relvas, pianista profissional falecido antes do pai, nunca mais foi tocado por vontade testamentária.

06

Não Deixou à Família. Deixou a Todos

Sem descendentes, legou a quinta ao povo de Alpiarça.

Vista aérea da Quinta dos Patudos e dos seus jardins murados, em Alpiarça

A origem do nome

Porque é que se chama «Patudos»?

O nome engana quem o ouve pela primeira vez. Nada tem que ver com cães: a Quinta dos Patudos deve a sua designação aos inúmeros patos que outrora povoavam os seus tanques e campos alagados.

Um pormenor aparentemente menor que revela a natureza deste lugar: uma casa onde cada detalhe encerra uma história inesperada, da paisagem ribatejana à coleção que hoje acolhe.

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A Arquitectura

A Casa dos Patudos, Desenhada de Dentro para Fora

Em 1904, José Relvas confiou a Raul Lino, mestre da chamada «Casa Portuguesa», a construção da Casa dos Patudos. Concluída em 1909, a casa é hoje um dos exemplares mais singulares da arquitetura nacional. Na Casa dos Patudos, grande parte do mobiliário e da azulejaria foram concebidos e integrados no projeto original da casa. Nada foi deixado ao acaso: cada peça, cada painel de azulejos e cada detalhe decorativo foram pensados para o espaço que ocupam, contribuindo para a harmonia e singularidade deste conjunto arquitetónico.

1904–1909Construção
Raul LinoArquiteto
1960Aberta como museu
1996Interesse Público
10–12 milVisitantes / ano

A Coleção

A Coleção da Casa dos Patudos: 8.000 Peças em Quatro Continentes

Oito mil peças. O número, por si só, mal traduz aquilo que José Relvas reuniu ao longo de uma vida de viagens, amizades e devoção pela arte.

A coleção atravessa o tempo, da Idade Média ao início do século XX, e percorre o mundo. Pintura portuguesa de Silva Porto, Columbano Bordalo Pinheiro, José Malhoa, Constantino Fernandes, Carlos Reis, Adriano de Sousa Lopes e Josefa de Óbidos. Obras de escolas espanholas, flamengas, francesas, italianas, alemãs e neerlandesas. Porcelanas de Sèvres e de Saxe. Peças da Companhia das Índias. Azulejaria, bronzes, têxteis e cerâmica de Rafael Bordalo Pinheiro.

Sala da Casa dos Patudos revestida a azulejos azuis com retratos de família a óleo, pavimento de madeira e tapete de Arraiolos

Um interior onde a pintura e o azulejo convivem.

01

Tapetes de Arraiolos do século XVIII

Uma das maiores coleções do país, com exemplares raros.

02

O Roubo e o Rembrandt de Milão

Em 1988, a casa foi assaltada. 8 anos depois, um Rembrandt foi recuperado pela polícia italiana perto de uma igreja em Milão.

03

Parece uma Casa Habitada

Flores frescas, calendário parado, objetos no lugar. Não é uma reconstituição. É a continuação de uma vida.

Sala da Música da Casa dos Patudos: pianola, retrato de Domenico Scarlatti, vitrine com a réplica da Jarra Beethoven e azulejos azuis e amarelos

A Sala da Música

Ao centro, do lado direito, ergue-se a Pianola, um piano com a singularidade de tocar sozinho. Ao fundo, um armário guarda os rolos musicais, fitas com as notas gravadas em relevo que, ao serem introduzidas no instrumento, lhe davam voz. Entre a Pianola e esse armário, na parede, repousa o retrato de Domenico Scarlatti, único retrato que se conhece no mundo.

À esquerda, numa vitrine, encontra-se a réplica da Jarra Beethoven. A obra original, com cerca de 2,3 metros de altura, é a maior peça de faiança que Rafael Bordalo Pinheiro produziu, em homenagem à música e ao grande compositor, e encontra-se hoje no Brasil. A réplica foi oferecida a José Relvas pelo próprio Bordalo Pinheiro, seu amigo próximo e frequentador assíduo da casa.

Biblioteca da Casa dos Patudos, que servia de escritório a José Relvas, com estantes de livros, secretárias e jarras com flores frescas

A Biblioteca

Era, na verdade, o escritório de José Relvas, embora ele nunca o quisesse chamar assim, preferindo o nome de biblioteca. É aqui que, sobre as secretárias, se mantêm as jarras que, por sua vontade, hão de ter sempre flores frescas e naturais.

As secretárias eram duas: a de José Relvas e a do filho, Carlos Relvas. Em ambas, os calendários permanecem detidos na data exata das suas mortes, marcando para sempre o dia e o ano em que cada um partiu.

Salão Nobre da Casa dos Patudos, com lustre de cristal, grande mesa central, vitrines de porcelana, tapeçarias e o retrato de José Relvas

O Salão Nobre

É o coração social da casa. Sob um imponente lustre de cristal, a grande mesa estende-se ladeada por vitrines que guardam porcelanas e faianças, enquanto tapeçarias e pintura europeia revestem as paredes.

À direita encontra-se o piano que nunca mais foi tocado, e junto dele o retrato do filho, Carlos Relvas. Por vontade do patrono, estes dois elementos hão de permanecer sempre lado a lado.

Obras emblemáticas

Obras que Têm Histórias Próprias

Cada peça da Casa dos Patudos guarda uma narrativa. Estas três falam por si.

Pintura Cabeça de Cão (Kaiser), de José Malhoa, 1904 — retrato do cão da família Relvas, coleção Casa dos Patudos

José Malhoa · 1904

Kaiser

O nome intriga à primeira vista. Kaiser evoca a realeza europeia, talvez o imperador alemão. A verdade, porém, é bem mais íntima e comovente: Kaiser era o cão de estimação da família Relvas.

José Malhoa pintou o retrato do cão da família como forma de agradecimento às diversas vezes que permanecia na Casa. O mesmo pintor que nos deu «O Fado». A obra, óleo sobre tela, foi pintada em 1904, no ano em que a construção da casa teve início.

Ficha técnica: Cabeça de Cão (Kaiser) · Óleo sobre tela · José Malhoa · 1904 · Coleção Casa dos Patudos

Pintura Abandonadas, de Constantino Fernandes — duas mulheres e uma criança numa paisagem industrial, coleção Casa dos Patudos

Constantino Fernandes

Abandonadas

De todas as obras que José Relvas reuniu ao longo da vida, havia uma que não podia estar longe de si. «Abandonadas», de Constantino Fernandes, era o seu quadro favorito. Pediu que ficasse na Biblioteca, o mesmo espaço onde o calendário de mogno e prata parou no dia da sua morte, em 31 de outubro de 1929.

A tela de grandes dimensões (1,67 × 1,78 metros) está ainda hoje onde José Relvas a colocou. Não foi movida. Não foi reposicionada.

Ficha técnica: Abandonadas · Óleo sobre tela · 1670 × 1775 mm · Constantino Fernandes · Biblioteca

Jarra Beethoven, de Rafael Bordalo Pinheiro, 1895 — jarra de barro vidrado com 2,30 m, Sala da Música da Casa dos Patudos

Rafael Bordalo Pinheiro · 1895

Jarra Beethoven

No final do século XIX, José Relvas fez uma encomenda invulgar ao seu amigo Rafael Bordalo Pinheiro: queria uma peça que fosse um hino a Beethoven. O resultado foi uma jarra de barro vidrado com 2,30 metros de altura.

Está repleta de detalhes musicais: folhas de partitura com as primeiras notas do Quarteto opus 18 n.º 4, quatro músicos empoleirados numa curva da peça, um medalhão com o retrato de Beethoven guardado por uma grande águia, e nas bases as palavras «Melodia» e «Harmonia».

«Effectivamente é a obra mais completa que tenho feito.»Rafael Bordalo Pinheiro, agosto de 1895

Por ser uma peça demasiado grande, Bordalo Pinheiro ofereceu a José Relvas a réplica da Jarra.

Ficha técnica: Jarra Beethoven · Barro vidrado · 2,30 m · Rafael Bordalo Pinheiro · 1895 · Sala da Música

Torreão da Casa dos Patudos, com cobertura em xadrez verde e branco desenhada por Raul Lino, recortado contra o céu de Alpiarça

Uma causa nacional

De Alpiarça para o Coração de Portugal

A Casa dos Patudos não preserva apenas a memória de uma família abastada. Guarda o legado de um homem que ajudou a moldar o país: aquele que proclamou a República, que dotou Portugal de uma moeda e que, entre concertos e tertúlias, sonhava com uma nação mais culta. Acima de tudo, teve a generosidade de compreender que o que reunira pertencia, por direito, a todos.

Votar na Casa dos Patudos é mais do que distinguir um museu. É afirmar que Portugal sabe cuidar do seu passado, honrar quem o engrandeceu e reconhecer a beleza onde quer que ela floresça.

Há lugares cuja grandeza não se mede pelo tamanho, mas pela história que guardam. Este é um deles.

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A nossa Meia-Final Regional Sábado, 20 de junho de 2026 · 15:00 Marvão

Em cada Meia-Final Regional competem 21 patrimónios — 3 por cada uma das 7 categorias. Os 2 mais votados em cada categoria seguem para a Final Regional. No final desta fase serão apurados os 98 patrimónios mais votados.

  • QuandoA nossa Meia-Final Regional realiza-se no sábado, 20 de junho de 2026, às 15:00, em Marvão. A fase decorre, no total, entre 13 de junho e 11 de julho de 2026.
  • VotaçãoPor chamada telefónica e pela aplicação TVI Pass, com o custo de 1 € + IVA por voto.
  • AuditoriaTodo o processo de votação é auditado pela PwC. Em caso de empate decide o Conselho Científico e, em última instância, o Presidente da Organização.
  • ApuramentoA lista final dos 98 patrimónios apurados será conhecida a 11 de julho de 2026.

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  • MoradaRua José Relvas, 2090-102 Alpiarça, Santarém
  • Telefone243 558 321
  • EmailContactar por email
  • Sitewww.cm-alpiarca.pt
  • HoráriosTerça-feira a domingo, das 09h30 às 13h00 e das 14h00 às 17h30
  • EncerraSegundas-feiras, 25 de abril, 1 de maio, Domingo de Páscoa, Natal e 1 de janeiro.

Em vídeo

A Casa dos Patudos em Movimento

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